Entrevista (quase) Exclusiva com Eduardo Spohr

by - sábado, março 26, 2016


No ultimo dia 12 de Março o Eduardo Spohr veio para Curitiba e junto com o lançamento do seu novo livro “Filhos do Éden: Paraíso Perdido” ele fez um super bate-papo com os leitores e nós gravamos tudo!! Transcrevi algumas das perguntas que os leitores fizeram a ele e a pergunta do Corujas também! O autor foi mais do que super gentil e atencioso com os fãs, ele autografou todos os livros, tendo senha ou não ele atendeu a todos os presentes! Mas vamos a entrevista:
Spohr – É muito importante vocês terem vindo, não é papo de político, nem nada de hipocrisia não, muito obrigada por vocês terem vindo. E a gente se fala muito pela internet, temos poucas oportunidades de se falar ao vivo, né, então queria aproveitar essa oportunidade pra ao invés de eu ficar aqui falando um monte de besteira, a gente deixar bloggif_56ec9381a86b6.gifque vocês falarem. Se alguém tiver alguma pergunta, sobre qualquer coisa, sobre os livros, sobre escrever, alguém aqui gosta de escrever, se arrisca no ramo, perguntas nesse sentido, sobre o nerdcast, temos aqui um ( aponta para o Azaghal) não percam, usem e abusem dele, não percam a oportunidade, e se alguém tiver alguma piada que seja melhor que as minhas, porque as minhas são horríveis, só levantar a mão que o microfone vai até vocês.
Fã – Meu nome é Jeferson, Eu queria saber assim, é…, na sua família, principalmente seu irmão, teve alguma influência com os personagens de Batalha do Apocalipse né, queria saber se por acaso alguém, deu palpites enquanto você tava escrevendo os livros, e que no rascunho o cara falava, não faz isso, mata esse aqui, teve isso ou foi só você?
Spohr- Sim cara, acho que isso é importante, tem um livro muito bom, fazer propaganda da concorrência aqui, do Stephen King chamado “Sobre A Escrita”, alguém aqui já leu esse
livro? Não se se já ouviram falar, livro excelente, e ele fala exatamente isso. Ele coloca isso que, não sei no livro, mas a gente chama de leitor Beta, tem muitas coisas que as pessoas falam e você pode mudar ou pode não mudar. Mas se você passa o livro pra cinco leitores betas e os cinco leitores dizem que aquilo não tá legal, é uma coisa que é bom você revisar, você mudar né.12
Fã –  Meu nome é Isabela, eu já escrevi um livro e eu queria saber de onde você tira as suas inspirações para escrever os seus livros?
Spohr  – legal, obrigado Isabela, eu acho que a gente tira as inspirações de todos os lugares, por onde a gente passa, tudo o que a gente vive, eu acho que é uma forma de inspiração, uma forma de se inspirar, no meu caso né, acho que por causa dos meus livros, eu tirei inspiração principalmente, para criar esse universo né, de duas coisas principais que foram os quadrinhos e a série de filmes anjos rebeldes, o que para mim foram duas grandes inspirações, só que você acaba trazendo tudo, tem uma frase que diz “originalidade é a capacidade que se tem de esconder suas fontes”, então quando você é muito novo e começa a escrever, seus primeiros textos são colagens. Por isso que você nunca mostra pra ninguém. Mas é bom que você escreva e é bom que seja meio ruim pra que depois pela pratica você acaba encontrando o próprio estilo. Então quando as pessoas falam “ah eu quero escrever, quero ser escritor”, tem que escrever sempre. Tente escrever o máximo que você puder, cada dia um pouquinho, e você vai fazer muitas coisas ruins, até chegar uma coisa boa, só q você não vai conseguir acertar sem errar, você tem que errar muito até acertar, então, ah, acho que é isso.
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Fã – Meu nome é Lucas. A gente tem vários exemplos na literatura e no cinema, onde as histórias elas nascem e depois tem algumas continuações, mas que na verdade elas não deveriam ter continuado, assim, seria melhor se de repente fosse uma história fechada. […] quando que você decidiu? E como? Que os esboços seriam A Batalha do Apocalipse e quando e como você decidiu depois que aquilo seria uma história fechada e não teria mais continuação? Como que funciona esse processo de ah, isso aqui vai ser um livro e o depois vai até tal ponto.
Spohr – É, eu tentei fechar a jornada dos personagens todos ali, eu não queria apelar, eu tinha uma história longa. E na verdade ela era muito mais longa do que foi, então isso que
é interessante. Porque eu tinha muitas e muitas ideias ai eu fui e escrevi A Batalha do Apocalipse e não consegui encaixar todas as ideias e peguei outras coisas que, não continuando A Batalha do Apocalipse, mas pegando outras ideias que eu tinha e acabei desenvolvendo os filhos do Éden. Mas é, eu acho que é tudo uma escolha criativa, tipo, tem várias coisas que você faz, você vai falar de um personagem só, ou você vai falar de um grupo, por exemplo. Se for um personagem só, qual o seu personagem central, e simplesmente isso,você encerrando o ciclo acho que a gente deve saber iniciar um novo ciclo e não ficar preso aquelas coisas que já foram. Isso é verdade nas histórias, nas que a gente escreve e também é verdade na nossa vida pessoal né. A gente tem que saber encerrar, fechar ciclos pra continuar e começar coisas novas.
Fã – Boa tarde, eu me chamo Pedro, e qual que é a diferença entre o Eduardo Spohr que eu encontrei na bienal anos atrás, e o Eduardo de hoje, escritor?
Spohr – Acho que o que mudou foi o fato de que hoje em dia eu acho que eu tenho uma, ah eu vou chamar de responsabilidade, porque você vê que você vai escrever e muitas pessoas vão ler, hoje eusei que eu vou escrever, vou lançar e as pessoas vão ler, antes na bienal eu não fazia ideia se alguém ia ler. Então acho que isso deu uma responsabilidade muito grande também, poque você vai escrever, não sendo moralista nem nada, mas acho que é importante você também ver o que você vai escrever. Também assim, você fazer o que você quer mas também agradar o público, isso é que é uma coisa muito difícil né, acho que a gente tem que surpreender o publico mas ao mesmo tempo você não pode, sei la, sair de um caminho que as pessoas podem gostar ou não. Mas acho que eu não sei, acho que eu não mudei muito não.
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Corujas de Biblioteca – Meu nome é Vitória e eu sou blogueira literária então a gente acompanha bem o mercado literário nacional porque está mais acessível, e eu queria perguntar qual a visão de um autor do nosso mercado literário nacional. Porque você sendo uma referência trouxe vários autores novos e tem alguns autores crescendo e eu queria saber como é a visão de um autor publicado.
Spohr – A gente não pode esquecer também do nosso amigo André Vianco, que foi acho o primeiro nessa área escrevendo sobre vampiros e tal, para a gente ele que é o nosso grande pioneiro na área, foi o que abriu as portas da literatura fantástica nacional escrevendo terror e tudo. Mas é acho assim que é muito melhor as pessoas continuarem a escrever e lembrar que nada disso é fácil, a gente se pergunta por exemplo, “será que é difícil você ser um escritor bem sucedido no brasil?” É difícil sim. O brasil desvaloriza muitas profissões, se você é um engenheiro por exemplo, um advogado… isso não é uma exclusividade do escritor ou da literatura.  Então eu acho que isso não deve servir de desculpa, “ah não, não vou ser escritor no brasil porque escritor não é valorizado”. Eu discordo, acho que a gente tem que continuar escrevendo e em frente. Porque eu acho que é difícil mas a gente consegue, assim como eu sou apenas um, tem um monte de escritores e eu posso citar vários aqui, que encontram seu caminho né, pra escrever. Então minha visão é essa, a gente fica feliz, assim, e lembrando né que não somos nós que, to falando com sinceridade, não to puxando saco de vocês não, total sinceridade. Quem faz esse sucesso são os leitores né, é vocês que estão aqui, tão lendo os livros que tão fazendo sucesso. Você por exemplo que tem seu blog literário, você é parte integrante dessa máquina que movimenta as coisas, a gente ta aqui pra escrever os livros, mas se não fosse vocês a literatura nunca taria nessa revolução e as pessoas tão lendo cada vez mais. Na internet é muito menos pelos autores e muito mais pelos leitores que tão movimentando isso nas redes sociais, os blogs literários, as redes sociais de livros como skoob e tudo mais, enfim essa é minha visão.
O post de hoje ficou bem mais longo que o normal, mas espero que tenham gostado de conferir esse bate-papo com o autor. O evento foi no Shopping Palladium em Curitiba nas Livrarias Curitiba e a organização do evento está de parabéns. Não conhecia o Eduardo Spohr ainda mas fui surpreendida positivamente com sua simpatia, gentileza e real apreço pelos fãs.

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