A Jornada da Heroína

by - quarta-feira, agosto 28, 2019


Bom dia gente!

Recentemente acompanhei uma thread no twitter sobre a Jornada da Heroína e achei tão interessante que resolvi trazer aqui para vocês! A thread que eu li foi postada pela autora Laís Lacet. Nós ouvimos muito falar sobre a Jornada do Herói, que serve de base para Harry Potter e Star Wars, por exemplo. Mas eu não sabia nada sobre a versão feminina dessa jornada, então fiz uma pesquisa e trouxe para vocês todas as informações sobre isso!

Essa teoria surgiu depois que a aluna Maureen Murdock, percebeu em 1990 que a Jornada do Herói não se encaixava na jornada da mulher contemporânea. Mesmo que, em alguns casos conseguisse contar a história de protagonistas femininas, não estava alinhada com a busca psicológica e espiritual das mulheres atuais. Foi então que ela publicou seu livro, "A Jornada da Heroína" que explora um novo modelo de narrativa que explora as necessidades, dilemas e angústias da mulher moderna e não do homem.

Na época, Joseph Campbell, criador da Jornada do Herói, disse não concordar com a versão de Murdock. Para ele, a mulher ocupa um lugar de destaque na jornada do herói, sendo a grande recompensa para o protagonista. Mas para Maureen, o modelo de Campbell contempla a jornada do herói que busca a reconexão consigo mesmo, mas não a de um personagem, masculino ou feminino, com uma procura mais psicológica que espiritual.

O que eu achei mais legal, é que a Jornada da Heroína não é o contrário da famosa Jornada do Herói, mas sim uma outra forma de construir a história, de forma que o trajeto das mulheres seja melhor representado. Sem impedir que os dois modelos apareçam na mesma história.

Murdock explica que os aspectos sociais e culturais criam diferenças psicológicas entre os gêneros e por isso ela defendia a necessidade de um novo modelo de mito para as mulheres.

Mas o que é a jornada da heroína? Acho que um exemplo de narrativa que trás a Jornada da Heroína é a animação da Disney, Mulan e por isso vou tentar usar o filme como exemplo para cada um dos 8 passos.

     1. Troca do feminino pelo masculino.


Em alguns textos, esse passo pode ser separado em dois, "A Negação do Feminino" e a "Identificação com o Masculino". Que é quando a heroína se identifica com um modelo masculino e nega o resto, a feminilidade e até a figura materna.

Na animação, podemos ver como Mulan aceita o papel de um homem, seu pai, para poder ir para a guerra. E ao fazer isso, renuncia seu papel feminino e incorpora o masculino.

     2. A estrada das Provações ou Caminho das Provas


Esse caminho das provas trata sobre lidar com os problemas impostos pelo mundo patriarcal, sejam obstáculos místicos ou até relacionamentos que não dão certo. 

Essa parte se encaixa um pouco menos, mas durante seu treinamento, Mulan consegue superar as dificuldades que teria no treinamento por ser uma mulher. E consegue se tornar uma boa guerreira junto com seus amigos.

     3. A ilusão do sucesso.


Nesse momento a heroína tem tudo, alcançou suas metas, é respeitada, líder, sagaz e competente. Mas continua sentindo que não é suficiente, mesmo com o aparente sucesso, ela não recebe a recompensa. É aquele momento em que ela percebe que para se encaixar como mulher, tem que ser muito mais competente que um homem.

Quando termina seu treinamento, Mulan dá de cara com uma vila destruída pelos Hunos. É nesse momento que a heroína não recebe sua recompensa. Apesar de ser um bom soldado, ela não é suficiente para proteger aquelas pessoas. E é então que sua identidade é descoberta e Mulan volta a ser vista como mulher

     4. A descida.

O momento em que a heroína aprende a dizer não e para de se apagar como fazia antes. Esse é o momento que a jornada da heroína abandona a parte masculina e entra na parte feminina.

Nessa hora que Mulan persiste mesmo depois de ser expulsa do exército e deixada para trás. Ela aceita sua parte feminina e decide continuar combatendo os Hunos. 

     5. A Iniciação

Nesse momento a heroína deixa de procurar se encaixar no mundo patriarcal e começa a se reconectar com o feminino que foi negado anteriormente. Um caminho de despertar, para procurar a mudança na cultura e na sociedade.

Bom, esse momento de reconexão com o feminino fica um pouco caricato na história, quando até mesmo os outros soldados precisam se vestir como mulheres para conseguirem entrar no palácio. Mas se a gente esticar um pouquinho a metáfora aqui, Mulan se reafirma como mulher e deixa de se omitir, confiando nos próprios instintos e também mostrando aos companheiros que o feminino também tem poder.

     6. Reconciliação com o Feminino. 


É o ponto no qual é preciso entender o ponto negativo do feminino e o que precisa ser integrado na vida da mulher.

     7. (Re)incorporação do masculino.

Nesse momento a heroína precisa reconhecer seu masculino interno e entender que não é preciso ser perfeita, para ser competitiva. É se tornar consciente disso e deixar ir. 
     8. A União. 



O ultimo ponto é a união, que busca equilibrar o lado masculino e feminino.

Os passos, 6, 7 e 8 eu acredito que se encaixam no finalzinho do filme, quando Mulan volta para a casa, depois de recusar o posto como conselheira do Imperador e aceita seu lado guerreira, ao mesmo tempo que abraça o feminino em seu início de relacionamento com o Shang. 

Basicamente é essa a jornada da heroína, que, apesar de encontrar em seu último passo na União, é representada como cíclica. O que mais me chama atenção na Jornada da Heroína é a relação com o feminino que a personagem tem que enfrentar.

Claro que, essas noções mitológicas do Herói e a Heroína não se aplicam somente à escrita, mas são conceitos da psicologia que são aplicados às histórias. Você conhece algum outro exemplo da Jornada da Heroína? Concorda com os paralelos que fiz sobre o filme da Disney? Deixe seu comentário e vamos conversar sobre isso! 

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16 comentários

  1. Eu também não sabia muita coisa sobre o tema e cheguei a achar que a jornada do herói poderia representar a da heroína também. Que bobinha e desinformada eu... rs Adorei o post.
    Beijos

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    1. Ooi Ivi,
      Na verdade a jornada do herói pode sim representar uma mulher, acontece em várias franquias até, mas a jornada da heroína propõe um ponto de vista que considera a mulher e sua feminilidade de uma forma mais completa.
      Obrigada pela visita!

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  2. Oi.. Olha que curioso. Nunca tinha reparado nisso. Acabei me dando conta a força que o assunto aborda e como ele é extenso.
    Para mim a heroína sempre ela a pessoa teimosa que queria mudar alguma coisa, mas vai tão além disso. Talvez pelo fato da gente ter um esteriotipo da jornada do herói

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    1. Oi Helana!
      É bem isso! A nossa proximidade com a jornada do herói nos faz perceber menos o ciclo de uma heroína. Fico feliz que tenha gostado.
      Obrigada pela visita!

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  3. Olá, tudo bem?

    Ando tão desinformada, que não conhecia essa história de "Jornada do Herói" e da "Heroína". Mas curti conhecer um pouco aqui. Vou procurar saber mais sobre isso e ficar por dentro do assunto.

    Beijos

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    1. Ooi Laneeh,
      Que bom que gostou! Acho que é interessante conhecer para também entender um pouco mais sobre a construção das histórias.
      Obrigada pela visita!

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  4. Oie amore,

    Como bibliotecária, não poderia deixar de amar o título de seu blog, que amor.
    Quanto conteúdo em um post maravilhoso, parabéns!
    Sua teorias são bem pensadas.
    Adorei!!!

    Beijokas!
    www.facesdeumacapa.com.br

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    1. Ooi Grazi,
      Obrigada! Tentei fazer esse paralelo para melhor explicar a teoria!
      Obrigada pela visita!

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  5. Que interessante este post! Apesar de leitora há tantos anos, nunca parei muito para pensar em tais teorias ou temas. Gostei bastante dos paralelos que você mostrou com o filme da Disney, que eu já assisti e amei! Esses oito passos me fizeram recordar um livro chamado A Conquistadora, da Teresa Medeiros, um dos melhores livros que já li.

    Vou prestar mais atenção nessas teorias, realmente seu post ficou incrível!

    Bjs!

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    1. Obrigada Luna!
      Não conheço A Conquistadora, mas fiquei curiosa em conhecer. Pessoalmente não consigo lembrar de nenhum livro que traga esses passos.
      Obrigada pela visita!

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  6. Oi!
    Que legal, acho que nunca parei para pensar sobre o assunto, achei interessante e se pensar bem, tem muito sentido, adoro Mulan, vi ela como heroína assim como seu povo e essa comparação é bem plausível. Parabéns pelo post, vou procurar saber mais sobre o tema. Bjs!

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    1. Ooi Cris!
      Que bom que você gostou do assunto! É realmente algo que não encontramos todos os dias.
      Obrigada pela visita, beijos!

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  7. Oi, tudo bem?
    Eu nunca tinha ouvido falar sobre a jornada da Heroína, mas achei super interessante. Além disso, a comparação com o desenho da Mulan deixou tudo ainda mais didático. Parei até para pensar em outros livros que se enquadrariam também.
    Amei o post e fiquei curiosa para ler mais sobre o assunto.
    Beijos!

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  8. Olá, tudo bem? EU não cheguei a ver essa publicação lá pelo twitter mas preciso dizer como achei sensacional demais! Nos abre os olhos para vários estereótipos que indiretamente vamos criando sobre o feminino, né? Muito bom!

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  9. Eu nunca tinha ouvido falar dessa Jornada da heroína, mas achei muito legal e mais legal ainda o seu post explicando. Adorei que você usou a Mulan como demonstração. Vou buscar conhecer mais sobre isso.

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  10. Gente, fiquei muito tempo fora da blogosfera que nem conhecia nada desse assunto e ainda estou meio confusa,hahaha, confesso. Achei bem legal, conhecer um pouco sobre através do seu blog, post muito bem explicado.

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