Battle Royale - Koushun Takami

segunda-feira, julho 18, 2016 , , , 0 Comentários


Quando foi pedido que eu escrevesse sobre um livro que tivesse romance para o dia dos namorados eu senti um pouco de desespero. Não sou fã do gênero e não tenho nenhum livro do tipo em casa. Agora que eu pensei nisso, estou irritado por ser mais um estereótipo masculino.
Então eu tive uma ideia: vamos falar de um livro que traz a brutalidade dos relacionamentos para suas páginas.

Battle Royale de Koushun Takami retrata a batalha por sobrevivência dos participantes do “Programa”. Explicando melhor, imagine um país dominado por um governo ditatorial onde 50 jovens da mesma turma da escola são selecionados para o “Programa”. Um combate entre adolescentes e apenas um deles pode sair vivo (sim, você já viu a história em algum lugar). Por qual razão o governo faz isso? Sadismo.
Nesse ambiente de caos e loucura, Shuya um garoto comum de escola decide que battle-royale-livromanterá viva Noriko, uma das participantes do jogo. Motivo? Shuya acredita que seu melhor amigo, assassinado pelas mãos de agentes do governo no início do “Programa”, amava a garota.
Diversos casos de amor são retratados na batalha. Todos em busca de sobrevivência, mesmo que isso signifique matar pessoas que até então eram amigas de infância. Nesses termos encontramos amantes que se viram uns contra os outros por medo de morrer, amores suicidas, paixões não correspondidas e um pouco de vingança.
O amor é um ponto interessante na história. O que é mais importante para você? Continuar vivo ou partir sabendo que não foi responsável pela morte da pessoa que você ama? São questionamentos morais que muitas vezes temos em relacionamentos diários (não com a mesma intensidade de Battle Royale, pois aí dá cadeia).
De acordo com o avanço do jogo esses amores se tornam um peso para o leitor que torce para que o fulano sobreviva, ou que a garota consiga sair da ilha e realizar seu sonho de chamar o crush pra sair.
Entenda, ela provavelmente vai ser morta pelo crush, ou pela amiga de infância, ou pelo colega que tirou sua virgindade, ou pela vilã da sala que pratica Bullying. Em um livro com personagens detestáveis como o Sakamochi, que fala sobre ter estuprado a responsável por um dos jovens como quem comenta o jantar, não existem muito espaço para finais felizes.
A tragédia de Battle Royale reflete em nós por obrigar ao leitor a aceitar que não existe esse negócio de final feliz. Se as coisas vão dar errado ou não, é irrelevante. No final a gente não pode parar de brigar, nem que seja para manter a memória dos amigos intacta na cabeça.
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